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15/09/2026 - 10h02

A Tamoios pode fechar. A responsabilidade, não

Não se questiona a necessidade de interditar a Serra Antiga da Rodovia dos Tamoios quando as condições climáticas representam risco. Preservar vidas é obrigação. O que precisa ser questionado é o que acontece depois que a estrada fecha.

Nas recentes interdições, famílias, idosos, crianças, trabalhadores e pessoas em deslocamento para tratamentos de saúde enfrentaram longas horas de espera, muitas vezes sem informações claras sobre comboios, horários e perspectivas de liberação. Em determinados momentos, informações divulgadas pelos próprios canais oficiais da Concessionária, inclusive pelo X, divergiram da operação efetivamente realizada.

Em situações de emergência, informação não é acessório. É serviço. A Tamoios é uma infraestrutura essencial para o Litoral Norte. Quando sua operação é interrompida, os efeitos alcançam muito além da rodovia: atingem o trabalho, a saúde, o comércio, o turismo e a economia de toda uma região.

E não se trata de uma ocorrência imprevisível. Chuvas intensas e interdições da Serra Antiga fazem parte de uma realidade conhecida. Se não é possível controlar a chuva, é possível — e necessário — aprimorar o planejamento para enfrentá-la.

Há ainda uma questão elementar: trata-se de uma rodovia pedagiada. O usuário paga pela utilização da via e tem o direito de esperar, além de segurança, comunicação eficiente, assistência e respeito.

Não se espera da concessionária o controle sobre a natureza. Espera-se preparo para aquilo que é previsível.

O Litoral Norte não questiona o fechamento quando ele é necessário. Questiona a falta de previsibilidade, a comunicação insuficiente e a ausência de respostas capazes de evitar que, a cada nova chuva, a mesma história se repita. A estrada pode precisar fechar. A responsabilidade, jamais.

 

Editorial

Vitor Miki
Editor-chefe — Notícias do Litoral Norte

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