
03/10/2025 - 12h05
O avanço de casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas levou o Ministério da Saúde e a Anvisa a uma operação emergencial para viabilizar a chegada ao Brasil do fomepizol, medicamento usado como antídoto, mas que não está registrado nem disponível no país.
A agência já contatou reguladores de pelo menos dez países — entre eles Estados Unidos, União Europeia, Canadá, Japão e Argentina — para acelerar a importação. Um chamamento internacional foi aberto para localizar fabricantes e distribuidores com disponibilidade imediata do produto.
O metanol, álcool utilizado industrialmente em solventes e combustíveis, é altamente tóxico ao ser ingerido. Por não ter cheiro, cor ou sabor, pode ser adicionado ilegalmente a bebidas sem detecção. No fígado, transforma-se em ácido fórmico, provocando danos ao sistema nervoso e ao fígado. Os sintomas surgem em poucas horas: visão borrada, tontura, dor abdominal e dificuldade para respirar. Nos casos graves, pode causar cegueira irreversível, falência de órgãos e morte.
Enquanto aguarda o medicamento, o sistema de saúde segue utilizando o etanol grau farmacêutico como alternativa, embora menos eficaz. Laboratórios públicos, como o Lacen/DF, o Laboratório Municipal de São Paulo e o INCQS/Fiocruz, foram acionados para análise de amostras suspeitas, e operações de fiscalização já estão em andamento em vários estados.
A orientação oficial é que pessoas com sintomas de intoxicação procurem imediatamente atendimento médico ou liguem para o Disque-Intoxicação (0800-722-6001). O governo também instalou uma Sala de Situação nacional para coordenar medidas de prevenção e investigação em conjunto com estados e municípios.
Fonte:Redação